Caleidoscópio do Éden
Quero que a verdade me consuma até o último gole

O Leitor

Sábado, Fevereiro 28, 2009

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Só sei que depois de ter lido aquela tela inteira, me senti sufocada com o que estava fora dela. O que me sufocava era a obrigação de sair dali e estabelecer, ele é o bem, ela é o mal. Ou talvez pior. Não devemos julgá-la, pois ela não sabia ler. Ou pior ainda. Pra toda esta situação só a pena é digna. As receitas de bolo não se aplicam à vida real. Mas também não se aplicam às sensações diante da tela. Intelectualmente eu tenho muitas perguntas, do tipo “o que é leitura, afinal” ou “até que ponto nossas escolhas são afetadas pelo que conhecemos do mundo”. Há os aspectos que me afetam como artista, ao reconhecer uma bela narrativa, imagens perturbadoras, interpretações excelentes, trilha sonora da mais fina poesia, uma visão extrema – do livro e do filme – de uma melancolia sem dó, algo que eu só consigo definir como um pessimismo otimista.

Mas na real, na real mesmo, a minha sensação ao sair do filme é de que eu queria que eles transassem novamente. A melhor parte daquela experiência foi sentir naqueles dois personagens a necessidade viceral, premente e dilacerante de se pertencerem, sejam os motivos quais forem. E o que aprendo sobre mim é aquilo que eu já sabia. Aprendo sobre como eu leio o mundo. Para mim, o desejo. Acima de tudo, o desejo.

 

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Pra quem quiser, O Leitor (The Reader) é dirigido por Stephen Daldry, roteirizado por David Hare, com Kate Winslet, David Kross e Ralph Fiennes entre outros. Tem duração de 124 minutos. Kate Winslet conquistou o oscar de melhor atriz deste ano por seu papel neste filme.

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Oscar 2009

Quarta-feira, Fevereiro 25, 2009

Ou… elogio à vaidade 2009.

Se você pensou que ia encontrar uma resenha super “cabeça” sobre o cinema hollywoodiano em 2009… so sorry.

Quero mesmo é falar dos brincos de Angelina Jolie. Maravilhosos. Os brincos mais lindos que já vi na vida.

Eu quero ser uma milionária pra comprar brincos de esmeralda.

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Ok, eu não consigo fazer essa piada. A intenção era aproximar este blog do mundo que o cerca, às vezes até eu me sinto sufocada com o tom de mim para mim mesma, embora esta seja eu e este seja o meu jardim. Mas, pra sair um pouco do “eu” para o “mas também”, resolvi falar sobre uma festa que gosto: o Oscar 2009.

Adoro premiações. Acima de tudo, eu gosto de curtir a emoção da festa, adoro as mordidelas da vaidade que percebo em cada ser humano que está ali. Além do mais este ano foi… diferente… da pasmaceira que assolava o cinemão. Contudo, embora eu não me envergonhe nem um pouco de gostar, percebi que tu-do já havia sido dito.

Então, apelei para sinceridade.

Mas aqui tem uma resenha bem legal e aqui tem a lista completa dos ganhadores.

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Achado de hoje (Orkut, acreditem):

Sexta-feira, Fevereiro 20, 2009

“Não faz sentido dividir as pessoas em boas e más. Pessoas são apenas encantadoras ou monótonas.”

P.S. - Leio isso na manhã seguinte ao meu debut no bloco Os Mascarados, com a fantasia “Diaba”. Sem mais comentários.

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Só um pouco mais de mim

Domingo, Fevereiro 15, 2009

eu e meus dedos fofinhos Meu desenho tem gosto de latim. Minha letra rabisca meus sonhos e seus fios se emaranham na língua. Meu olhar eu sinto na boca com cheiro de anoitecer. Sou toda sentir, impulsionada por um coração que teima em bater sinuoso numa canção lasciva e intermitente como um gemido de um gozo que está para acontecer.

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O gladiador e a sacerdotisa

Segunda-feira, Fevereiro 09, 2009

Não me espere. Vá em frente e tome o que é seu. Você não precisa de convite para adentrar o meu castelo. Nunca precisou. Porque todos, todos, todos os castelos são de areia, no fim das contas. E o que realmente importa não é o que é bradado em muralhas de ilusão, e sim o que é sussurrado no escuro dos lençóis. É difícil enxergar no escuro, bem sei. Mas a grande questão é o que ele não revela. As palavras sussurradas, quase inauditas que digo quando chego daquilo que você não sabe o que é. Eu peço todos os dias por você e por nós. E antes de fechar os olhos as três palavras estão lá, impreterivelmente. Eu. te. amo. Não é para os seus ouvidos, é para o nosso coração. E não há um dia que isso não faça sentido pra mim. Até ontem. Até hoje. Até sempre. Mas o que eu sei se meu alimento é a mesma areia que constrói os castelos por onde passo?

Se é o fim, eu aceito. Porque eu nunca venci. Porque eu nunca joguei. Porque eu sei que em meu sacerdócio não é permitido errar. E o maior erro de todos é desejar não estar só. Mesmo em universos paralelos não vou deixar de sussurrar no escuro. Porque esta é a minha sina. Esse é o meu destino. Esse é o segredo que escondi de você todo esse tempo. Eu não sou aquela, eu sou essa. Pequenininha, de voz fraca. E é dentro de você que eu me guardo. Eu só esperava que você estendesse a mão pra acertarmos os nossos passos. Dançar, não correr. Dançar. Porque ainda, depois de uma Era, sabemos rir juntos. Nós dois e nós três. Não há melhor termômetro do que a alegria.

Mas com a mesma certeza da morte, outros castelos virão. Porque eu sou uma artista. E você, e só você, é inteiro.

 No escuro

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vou tomar a sua atenção

E todo o risco que possa trazer

Não tenho tanta força em mim

Mas prefiro acreditar

Que nada de mau vai nos acontecer

Eu páro seus braços

Suspendo a sua respiração

Desfaço seus movimentos

Confundo o seu tempo

E o andamento do seu coração

Qual o vestido de dançar?

E se chover?

E se o sol roubar as cores de você?

Quem vai ficar

Pra ver nosso mundo girar

Em torno do perigo

Que não pude prever?

Vamos tentar, então

Talvez nada possa ser pior

Eu tenho esse desespero

Você, um coração inteiro

Para bater por nós

Se não é pra ser assim

Por que haveria

De ser tanta alegria?

Quem vai ficar

Pra ver nosso mundo rodar

Espantando a dor

Que colore meus dias?

(Luisão Pereira: E se chover?)

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Salomé re-estréia hoje

Quarta-feira, Fevereiro 04, 2009

Salomé, de Oscar Wilde re-estréia hoje. E hoje também soubemos que Luisa Proserpio foi indicada para o Prêmio Braskem de Teatro deste ano por sua atuação em Salomé. Luisa é Salomé. Muito, muito. Rodrigo Frota também foi indicado para o prêmio Revelação, pelo conjunto de seu trabalho como cenógrafo no úlitmo ano. Dentre eles o cenário de Salomé. Se eu sou a mãe desse espetáculo, sem dúvidas Rodrigo é o pai.

Desta vez teremos novos nomes no elenco. Will Brandão como Jokanaan, e três novas meninas no Corpo de Baile: Brisa Morena, Rayara Almeida, Taiane Assis. E tivemos duas semanas pra preparar tudo isso. Apenas duas semanas.

Nestas duas semanas aprendi o mesmo tanto, talvez até um pouco mais em alguns aspectos do que nos quatro meses de preparação para a primeira temporada. Mas acima de tudo, acima de tudo o que aprendi está o quanto me surpreendi. Tanto que ainda não recuperei o fôlego. Ainda não estou sequer falando comigo mesma. Cada gota de energia do meu ser está concentrada nesta estréia. E o ritual é o mesmo. Já me conheço. Ficarei alguns dias olhando pras estrelas até catalizar tudo isso. Por ora o que quero é fazer um convite cósmico. Se você me lê, venha me assistir.

Sim, porque quem está lá sou eu. Em cada gota de suor, de lágrimas, de maquiagem borrada. Em cada fluido. Em cada som. Em cada centímetro de metal, cristal e seda. Em cada gole de vinho, em cada mordida de fruta. Em cada respiração.

Salomé, de Oscar WildeNo Teatro Martim Gonçalves, Canela. De quarta a domingo, com exceção de sábado. Quarta e quinta às 20:00h. Sexta e domingo às 19:00h e 21:00h. 50 minutos de duração. Classificação 18 anos. 50 espectadores sentados em almofadas no chão. Música ao vivo, lascívia e coragem.

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