E o único pedido que ela fez, é o que mais difícil poderia ser. Pediu que a palavra fosse a verdade. Doeu tanto em mim, que tive que olhar pro céu pra segurar a chuva que brotava de meus olhos. Mas doeu também por eu ter que segurar. Ali eu tenho que. Assistir. E fico feliz com a materialização daquele mundo, e triste por tanta coisa se esfarelar antes de estar no ponto de comer. Como é bom estar ali e ver generosidade e mesquinhez andando juntinhas, irmanadas. Como é bom ver gente que é gente e nem percebe que é. Como é bom ver o velho e o novo com o mesmo cheiro de bolor. Como é bom ver que é verdade, se um filho de deuses pousasse nessas paragens, não seria sequer visto. Ah, o tamanho dos umbigos… Estão diante de deuses, até de uma menina-deusa, e nem sequer agradecem. Nem sequer deixam a felicidade entrar. Confundem amor com sorriso e traduzem bem o que é árido. Chove areia ali e nada é por acaso. Mas me lembro que escutei, aliás, assisti, lá quando ainda era verão, o projeto dizer que contaria sobre. Mais verdadeiro não poderia ser.
E o coração dela tem uma luz que não precisa de acendedores. Emana. Ela emana humanidade. E eu queria era derramar essa chuva junto, clarificar o quanto não me importa se seria como eu faria ou não, porque estou ali por ela, e para ela, e que se danem todos os cânones de sacralização do universo. Estou ali pelo encontro, e por descobrir maluquices. Tem um mesmo, uma criatura linda, com quem convivi por 4 anos na Casa que era rosa e agora é branca, e nunca percebi sua divindade. Mas ele foi o único que olhou nos meus olhos naquele dia em que ela pediu pela verdade e me abraçou com sua risada trovejante pra minha embotada expressão e disse “bobinha, eu vi você chorando”. O abraço dele tem o mesmo calor e conforto do coração dela, tenho certeza.
A solidão de materializar sonhos é grande como o sertão, mas não é seca. Quero ter um regador pra molhar o coração dela sempre, quero ter essa função.
18 Junho, 2009 12:33
Querida, você é sempre água nesta aridez. Água de chuva, de lágrima, de rosa, de colônia.
Meu beijo.
Minha verdade, sempre.
21 Junho, 2009 15:38
Por mais arido que seja o lugar onde colocamos os pés, ainda bem que temos sempre chuva nos olhos. Sempre podemos regar nossos corações com água e gente.
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