Caleidoscópio do Éden
Quero que a verdade me consuma até o último gole
Segunda-feira, Agosto 27, 2007
Detalhe: difícil continuar "keep walking" no Campo Grande desviando de todas aquelas cacas de cachorro de madame... Mas, é o jeito, né? Educação vem mesmo de berço?
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Achado de Hoje (Johnnie Walker, o sábio)

Segunda-feira, Agosto 27, 2007
"Keep walking."
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O JESUS CRISTO QUE CONHEÇO

Quinta-feira, Agosto 23, 2007
"Tristeza não tem fim,
Felicidade sim".


Eu queria muito poder olhar pra este emaranhado de linhas e puxar a ponta do fio que desliga a minha vida da dele. Puxar, puxar e puxar até que não sobrasse mais nem vestígio de entrelace.

Mas sete anos não são sete dias. E eu nunca entreguei a alguém o meu coração desta forma. Provavelmente nunca mais entregarei. A ele dei o meu espírito, fui a mais sincera, a mais verdadeira, a mais "eu" que pode existir. A ele entreguei todos os meus suspiros, minhas lágrimas, meus sorrisos, meus medos, meus prazeres, meu existir. A ele, me entreguei.

Sete anos e um ciclo se fecha. Sete é o número da intereza. Sete anos e um mar de incógnitas se ergue pra nos engolir. Sete anos e tudo o que posso fazer é fechar os olhos e esperar o que virá, nesta supernova, nesta nebulosa, neste buraco negro que quer me abraçar. Pra quê lutar contra os desígnios do Universo? Pra quê, se ninguém sabe o que reserva a próxima curva da correnteza?

Mas se tem algo neste mundo inteiro que odeio com todas as minhas forças é a hipocrisia. E pra não ser hipócrita não posso me calar. Não posso não me indignar diante de pessoas religiosas, piedosas, pessoas cheias de fé, que tem sempre a solução em um abraço, em uma palavra de conforto e que são capazes de construir sua felicidade em cima da desgraça dos outros.

O que dói, o que me destrói em uma dor lancinante é a mentira. É a construção de uma outra vida nas costas da minha vida. É saber que, enquanto eu lutava com todas as forças pra reerguer algo mais importante que o universo, já havia músicas, rituais, sexo, passeios, vinho. Já havia encontros furtivos em supermercados, já havia o pegar na mão, já havia mensagens de "cheguei bem, meu amor", já havia sorrisos, já havia esperar pelo dia seguinte.

Enquanto eu me desesperava pela desesperança, alguém teve a coragem de, sem nem ao menos me conhecer, me destruir. Como pode haver piedade e fé em alguém capaz de se alimentar das lágrimas alheias? Como pode existir amor na violação, no fingimento, na mentira?

Pois se havia de haver o encontro, se ele era inevitável, se o acaso decidiu, se ele é mais forte do que a entrega de uma vida inteira, ele poderia esperar. É como diz meu Chico Buarque, "nada é pra já". Todos ao meu redor sabem que a liberdade era pra mim uma premissa. Que eu não acreditava em fidelidade e sim em lealdade. E em nome dessa crença eu entreguei a ele SETE chaves do meu coração. Entreguei para um dia receber SETE apunhaladas. Pra quê, pergunto eu? Pra quê? Pra quê se ele era livre?

E o que fazer agora? O que posso fazer além de esperar a dor passar? Além de aplaudir a felicidade alheia? O que posso fazer se meu amor não consegue acabar? Eu só posso desejar que valha a pena, e nas cinzas do que restou de mim, dizer apenas que o que começa errado, termina errado. Que não há alegria real que se construa no solo da dor de quem não teve o direito de dizer "vai".

Tento, dia após dia, com o lufar do que resta de mim, transformar toda a lama na qual se encontra envolto meu coração em água cristalina. Mas, por ora, só sinto a solidão. Acho que, desde que vi aquela marca não respiro direito. Fui acordada de um sono turbulento com a realidade jogada em mim como um ácido naquela sexta-feira, em que vi uma mancha em um pescoço e resolvi puxar um fio, e o que veio não foi a minha vida.

As lições que estou aprendendo são duras, mas necessárias. Uma delas é que esse Jesus Cristo que conheço só pode ser um mito. Este Jesus que não é o da igreja católica, mas um avatar de sabedoria e poder, e acima de tudo, de misericórdia, ensinou e morreu. Porque dele aprendi muita coisa, e a maior delas foi a lei áurea. Hoje, me livrei das religiões e me liguei ao mundo espiritual de forma particular e inteira. E em todos os universos que entrei, a lei áurea ainda existia. "Faça com os outros aquilo que você quer que façam com você". Não é assim? Então.

Como sacerdotisa da Lua, creio também em outra lei. A Lei do Retorno. "Tudo o que você lança para o Universo volta pra você".

Como mulher, creio também em outra lei. A Lei do Amor. Acredito que a paixão tem data de validade e só sabe destruir. E como é bom senti-la! Como é bom estar apaixonado! Não, não sou hipócrita. Sei bem o que é paixão. Sei bem o que é ser quem sou. Sei bem o que é ser de escorpião. Mas o amor, esse eu encontrei. E o amor, é o diamante dos sentimentos. É infinito, e tudo suporta, em tudo espera, tudo perdoa. Não é assim, Jesus? Não foi assim que um de seus santos disse?

"Tudo perdoa". Minha nova missão número 1. Perdoar. Ao menos conto com um amigo chamado Rafael Pellens. Sim. Um amigo. Meu melhor amigo. E amo meus amigos pelo que são, com todos os defeitos que os fazem ser tão humanos, e tão bons. Amo infalivelmente meus amigos, apesar de. Bizarro? Paradoxal? Esta sou eu, senhoras e senhores. Com as pernas cortadas e seguindo em frente. Dando a mão a santos e demônios, bebendo o sangue da terra, rindo de espelhos, gritando por dentro com os olhos serenos. Posso ser uma quimérica criação, mas sincera eu sou. E eu olho para os outros sim, e penso zilhões de vezes em aferroar a mim mesma antes de envenenar alguém. Nem sempre foi assim, mas há sete anos atrás começou a ser.

Não acredito em pessoas éticas, pra mim esta é apenas uma trilha tortuosa. Mas inevitável a quem um dia foi tocado pelo amor. E é o que desejo com o meu coração de bruxa a todos aqueles que conheço, que me gostem ou não, que eu goste ou não. Desejo que todas as pessoas que habitam este aterrorizante mundo, um dia, sejam tocadas pelo amor.

E eu vou sobreviver. Eu vou sobreviver.

Só não me tirem mais nada. Por favor.


Não, não é o que parece. Mística não está destruindo Gambit. Veja na mão dele o poder se concentrando. Ele se prepara para o próximo golpe. Que forma ela assumirá a seguir? Que truque ele usará em seguida? Não, não. Isso é amor. Essa história não tem fim. Porque o que importa pra eles é a luta.
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Sete

Segunda-feira, Agosto 06, 2007
7 chacras.
7 belas artes.
7 estrelas nas constelações.
7 dias da semana.
7 dias da criação.
7 cores do arco-íris.
7 notas musicais.
7 maravilhas do mundo.
7 pecados capitais.
7 anos de Amanda e Rafael. 7 anos de Rafael e Amanda.

Na HQ que é a nossa vida ocorreu o enc0ntro inusitado, inesperado, ambíguo, sinuoso, violento, lascivo, transcendental e louco de Mística e Gambit.
Entre disfarces e aventuras, de uma coisa estamos certos, sabemos quem realmente somos.
Um para o outro.


Sete anos de beijos, olhares, tapas, arranhões, choros, gritos, sussurros, gargalhadas, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor.

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Ele

Quarta-feira, Agosto 01, 2007

Não falo muito dele. Acho que nunca falei diretamente. Talvez porque ele seja o que há de mais concreto em minha vida. Ele é o agora, o já, o cada instante, o estalar de dedos. Quase não há tempo pra processar, só há tempo pra viver. Mas, hoje, dia 1 de Agosto, completa-se 6 anos que invadimos um chalé em um dia ensolaradamente frio. Em nossas mãos um fogão usado e um bebezinho, de 3 meses de idade. Nossas bochechinhas, as minhas, as dele, e as do bebezinho, estavam queimadinhas do ar gélido de Ouro Preto. Acomodamos aquele pequenino de olhos metade verde, metade azul e procuramos o aconchego de uma cama novinha. Porém, não queríamos descansar... Nos entregamos ao desejo desesperador de corpos e almas que sabiam se pertencer. E desde esse dia, um dia 1 de Agosto, estivemos juntos em várias camas, em tantos lugares... Ele é meu marido mesmo. O único marido não reacionário que conheço. O que será que um aquariano espera de uma escorpiana? Somos assustadoramente diferentes. E cúmplices. E casados. Há 6 anos. Há 6 anos ouço ele falar enquanto dorme, assaltar a geladeira madrugadas a dentro, morrer de ansiedade quando sabe que há um chocalatinho qualquer na casa. Há 6 anos morro de rir quando ele demora uma eternidade pra ficar de fato acordado, ou se livrar da preguiça quando o dia amanhece. Há 6 anos o vejo mandar o racional às favas quando tem jogo do "Timão" ou quando encontra uma raridade do poderoso Mega-Drive. Há 6 anos me eletrifico de tesão por suas mãos que sabem tão bem onde me tocar, afinação, química perfeita. Há 6 anos vivo uma montanha russa de sentimentos misturados, picos de amor aos borbotões e brigas cavalares. E o que será que ele diria de mim nesses 6 anos? Quantas vezes tivemos que sacudir a poeira da instituição casamento? Quantas vezes tive certeza de que era a última vez pra segundos depois ouvir o palpitar do meu coração e ter mais certeza ainda de que estava diante do amor da minha vida? Há 6 anos, vivo. Vivo ao lado de uma pessoa extremamente generosa, sensata, inteligente, sincera. Ao lado de um homem charmoso, sexy, discolado, contemporâneo. Ao lado de um pai dedicado, atencioso, exemplar. Há 6 anos encaro esses imensos olhos verdes azulados, que se inflamam diante da vida, e ao menos tempo transmitem uma eterna serenidade.

Com Rafael minha poesia é concreta. Tijolo mais tijolo criando castelos de algodão. Com a cabeça no infinito e os pés no chão. Meu ódio e amor. Meu ódio é amor. Meu amor. Meu Rafael. Meu.

____________________________
Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir

Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos
desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir

Se nós, nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir

Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu

Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu

Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios inda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair

Não, acho que estás só fazendo de conta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir

(Eu te amo, Chico e Tom)

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Futuro: tijolos e mapas

Quarta-feira, Agosto 01, 2007

No final do 4º semestre, perturbei a professa Juliana Ferrari com indagações para mim mesma: por que eu faço teatro? Para quê eu estou aqui? A isso ela respondia: para que você quer responder essas perguntas? Que graça vai ter se você já souber as respostas?
Treze anos após correr desesperadamente para o lugar onde mais me sentia viva, resolvi me colocar essas questões. Em meados do 5º semestre, o professor Luiz Marfuz realizou um exercício para despertar nossas motivações artísticas. Pediu que fechássemos os olhos e vislumbrássemos nosso futuro, víssemos o nosso legado, a nossa obra. Ao final, sem censuras ou reprimendas deveríamos escrever o que nos ocorresse sobre o exercício.
Cumpri a tarefa e apenas semanas depois parei para ler o que tinha escrito. Ali, diante de mim, estavam não as respostas para as minhas perguntas à professora Juliana, mas um mapa para seguir nos dias de maiores tempestades. Transcrevo agora o trecho final.
“O lugar tem quatro andares. A fachada não chama muito a atenção. O primeiro andar inteiro é ocupado pelo teatro, de porte médio, poltronas em ouro velho e tudo o mais é negro. O urdimento é alto. A tecnologia é de ponta. O palco é italiano, mas tem possibilidades. O segundo e o terceiro andares são de salas. O segundo tem muitas salas de música, o terceiro, de dança. No quarto andar fica a administração e a minha sala, que é clara e tem muitas janelas. Poso ver o mar de lá. É um lugar que me traz muita paz. Há um enorme altar para Maria Madalena e muitas outras bruxas. Me vejo lá no fim da tarde, mas me vejo mais no palco. À minha volta vejo muitos jovens, e o olhar de todos eles é sedento. Confiam em mim. Estou completamente realizada em estar ali.
Chorei porque Marfuz disse “coloque a obra dentro de você”.
Chorei porque isso tudo está dentro de mim, com muita clareza e nitidez. Chorei porque sei do fundo das minhas forças que escolhi o caminho certo. Essa é a árvore que quero plantar. Esse é o livro dos meus dias”.

_______________
Esse texto foi escrito há um ano atrás.
Faz um ano que o mestre Marfuz pediu que escrevêssemos nosso Memorial. Foi a tarefa final. Desde então parece que se passaram dez anos. O mundo está girando rápido demais. Um novo ano vai acabar, este já é o primeiro dia do mês do frio. Agosto chegou. Tenho muito a dizer sobre isso, mas queria registrar onde meu coração estava há um ano atrás.

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