Domingo, Novembro 13, 2005

E é tudo ao mesmo tempo agora... Tenho que admitir, há tempos não me sinto tão profícua, tão apaixonada, tão esfuziante... Há tempos não sinto tanto tesão ao respirar, há tempos o mundo não se abre tão intensamente, tão excitantemente, há tempos não é tão bom sentir o gosto do sol!Será a paixão pelo teatro, meu primeiro Shakespeare, minha Noite de Reis? Será a primavera e seus cheiros de sexo, seus aromas de libidinagem? Pra onde olho, a vida está copulando... gatos estão se lambendo, cachorros estão se procurando, pessoas estão se provocando... Há toda uma aura de desejo circundando os corpos, os olhares, as palavras...Ou será ela? Essa ariana selvagem, brejeira, de ninguém? A dona do pescoço mais suculento que já conheci? Ah, que vontade de possuí-la! Vontade de sonhos, vontade de eras, vontade, desejo, primavera! Vento forte, flores vermelhas e borboletas amarelas! Dentes de leão ao vento, leões brigando dentro de mim!Quando vou tê-la? Cheirá-la? Lambê-la? Provocá-la? Não duvido. Mais uma folha caíu da amendoeira nessa tarde soteropolitana. O chão ferve. Está quente. Posso ouvir. Minha respiração me denuncia.
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