Apelo ao Tic Tac
Quarta-feira, Abril 27, 2005Beijar. Tocar. Cheirar. Lamber. Dar. Receber. Olhar. Apreciar. Cuidar. Aprimorar. Relaxar. Descansar. Dormir. Respirar. Ficar. Sorrir. Degustar. Desejar. Brincar. Viver.
Ô! Só um pouco. Pros amigos, pros amores, pro meu íntimo. Só trabalho não dá! Agüento menos dignificação, quero até. Sim ao ócio! Sim às cigarras! Sim a pular na cama! Sim a enrolar o dedo nos caracóis do cabelo do meu filho! Sim à música, deitados, encaixados, agarradinhos! Sim aos bolinhos de chuva!
Ô, Tempo, poderoso Titã! Deus dos Deuses, preciso desesperadamente de ti!
Oração ao Tempo
És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo, tempo, tempo, tempo!
Vou te fazer um pedido
Tempo, tempo, tempo, tempo!
Compositor de destinos
Tambor de todos os ritmos
Tempo, tempo, tempo, tempo!
Entro num acordo contigo
Tempo, tempo, tempo, tempo!
Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo, tempo, tempo, tempo!
És um dos deuses mais lindos
Tempo, tempo, tempo, tempo!
Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo, tempo, tempo, tempo!
Ouve bem o que eu te digo
Tempo, tempo, tempo, tempo!
Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo, tempo, tempo, tempo!
Quando o tempo for propício
Tempo, tempo, tempo, tempo!
De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo, tempo, tempo, tempo!
E eu espalhe benefícios
Tempo, tempo, tempo, tempo!
O que usaremos pra isso
Fica guardado em sigilo
Tempo, tempo, tempo, tempo!
Apenas contigo e comigo
Tempo, tempo, tempo, tempo!
E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo, tempo, tempo, tempo!
Não serei nem terás sido
Tempo, tempo, tempo, tempo!
Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo, tempo, tempo, tempo!
Num outro nível de vínculo
Tempo, tempo, tempo, tempo!
Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo, tempo, tempo, tempo!
Nas rimas do meu estilo
Tempo, tempo, tempo, tempo!
(Caetano Veloso)
Filha de Dom Quixote
Sexta-feira, Abril 22, 2005
Será que rimo com alguém? Será que sou ímpar? Vivo perseguindo moinhos. Não sigo fórmulas. Não me culpo. Não sou hipócrita.
Fui triste. Tristeza minha, tristeza-amanda, só eu sentia. Ainda me sobra um pouco, é bom. Mas vislumbrei o sorriso do mundo. Vi e vivi coisas lindas. Fiz o caminho contrário, antes só sentia o gosto amargo, as texturas ásperas. Agora tenho orgasmos em amanhecer.
Testei a generosidade dos Deuses, e ela é maior, bem maior...
Tornei-me assim. Como?
Amante de Dionísio. Entregue ao teatro, até o último suspiro de alma. Oh, tão dramática... Sim, é isso mesmo! Dramática!
Corajosa. Pra girar 180º e olhar pra outro horizonte se sentir que errei. Paro no meio do caminho mesmo, dou até cavalo de pau, mas não vou insistir, não vou nunca, se meu coração disser não.
Cúmplice dele, o meu amante, o meu. Já éramos um do outro, não havia como. E é transcendental e carnal, por-que-não??? É assim que é. Ele pode ter todas sim, eu posso igualmente desejá-las, o corpo é sagrado também! Como o amor.
Admiradora dos Deuses, de sua grandiosidade, de sua misericórdia. A Deusa, em todo a sua sabedoria, o Deus, em todo o seu poder. Eu os mantenho vivos, dentro de mim, adquirindo conhecimento, assumindo as minhas responsabilidades, saboreando esse banquete.
Adoradora das pessoas. Espero sempre o melhor delas, amo-as com facilidade, e tanto! Meus amigos, esses são meus anjos, meus conselheiros, sem dizer uma palavra, só sua existência, já me contempla, já me abençoa.
E mãe, acima de tudo. Incondicionalmente, fervorosamente, para sempre.
Por que vou fingir que não fui tocada pelo suave, pelo perto, pelas musas, pelos dons, por que não? Vi a beleza da escuridão, achei outras eus, achei. E eu quero é rir disso tudo, quero o mar de alegria que essa efêmera vida pode dar! Quero dizer a verdade, como carícia ou dor, a verdade-imperatriz.
Haverá lados sombrios ainda, há tanto caminho, há tanto “porvir”... E daí? Vou chorar pelo leite que ainda não derramou? E se chorar? Não vou poder sentir o gosto? Sou doce, ácida, mas ao menos me provei. E sinto prazer. Pra quê mentirei?
.*.°...°...°.*.
E essa febre que não passa...
Quarta-feira, Abril 20, 2005
20 de Abril de 2005
Acredito sim. Em tanta coisa... Sou tão crédula! Não consigo não ser intensa. Não consigo não ter tesão na vida. Não consigo não me jogar de cabeça. Vejo a vida como um mar de emoções, tudo pra mim está vivo, e pulsa. Eu puxo muito ar quando respiro. Meu coração é imenso e muitas vezes se despedaça, pra depois se remontar. Só sei ser inteira, só quero se for tudo. E está me fazendo um enorme bem isso aqui! Não sei quem vai ver, mas quando isso acontecer, a cada vez, me sentirei mais livre pra ser o que sempre serei.
Por isso minha imagem são meus olhos. Eles sempre expressarão minha alma e meu coração.
Sou Você
Mar sobre o céu, cidade da luz
Mundo meu canção que eu compus
Mudou tudo agora é você
A minha voz que era da amplidão
Do universo da multidão
Hoje canta só por você
Minha mulher, meu amor, meu lugar
Antes de você chegar
Era tudo saudade
Meu canto mudo no ar
Faz do seu nome hoje o céu da cidade
Lua no mar, estrelas no chão
Há seus pés, entre as suas mãos
Tudo quer alcançar você
Levanta o sol do meu coração
Já não vivo, nem morro em vão
Sou mais eu
Porque sou você...(Caetano Veloso)
Santos sim. Com certeza.
Segunda-feira, Abril 18, 2005
Hoje é Dia do Amigo. Dia... Acredito em encontro de almas. Estou me sentindo um pouco só nesse sentido. Na minha conturbada adolescência havia mais. Uma generosidade de acreditar, uma necessidade de engolir o mundo... Adorava grupos. Lembro saudosa de três desses. O primeiro era um trio, o segundo um quinteto e o terceiro um monte... Era bom. Mas houveram também os sós. Onde será que estão? Alguns deixaram marcas profundas: Samuel, Vinícius, Fábio (o Moura e o Said), Rafaelle... Alguns morreram cedo: Nanda, Renato, Marcos... Alguns foram difíceis, confusos, mas não menos intensos: Tina, Cai... E alguns são e são: Gade, Quel, Mani, Rafael... Ainda há uma que vai ser para sempre: Lua. Amiga de eras. Amiga irmã. E há os enamoramentos, as promessas... Leo, mais um Fábio, Fernando, Wilminha, Gabi... Ai, bateu o medo da injustiça... Pois há os de um lado, e de outro. Os que vieram pra pegar e os que vieram pra dar... Mas esses aí, esses...é bom lembrar.
Só Oscar pra me entender... sou louca mesmo, de santa não tenho certeza... mas, quem sabe?
Loucos e Santos
Escolho meus amigos não pela pele ou outra característica qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta.
Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.
(Oscar Wilde)
Início
Segunda-feira, Abril 18, 2005
Quero começar assim. Passei uma eternidade pisando em nuvens.
Queria descer, via tudo. Percebia o mundo, mas ele não era real. Foi um processo... mas foi. Finalmente senti meus pés tocarem o chão. E foi no dia em que essa pequenina e imensamente intensa luz viu o mundo pela primeira vez, após preparar-se, do jeito que bem quis, dentro de mim. Esse foi realmente meu começo. Então aqui, não pode ser diferente. Estou muitas coisas, mas sou mãe. E esse amor, o único para sempre, jorra de mim.
Te amo, meu Reizinho. Meu Tuca. Meu filho.