Caleidoscópio do Éden
"Posso resistir à tudo, menos à tentação"

Porque é hoje, e só

Domingo, Junho 14, 2009

meu doce favorito

O encontro. Divino e acertado, sempre. Aquilo que lembraremos quando não houver do que alimentar nossa mente. Em cada esquina deste mundo estranho, aquelas pessoas, inusitadas, diferentes, instigantes, singulares. Nem boas, nem más, apenas divinamente humanas. E que se dane o certo e o errado, o que tem obrigação de dar certo ou fazer sentido. O que importa mesmo é significar. Adoro criar significados, adoro ser a diaba que sou, porque o único ‘não’ que respeito é o que nasce de dentro de mim. E com fé eu deslizo entre santos e aspirantes, entre a pontualidade impecável e as risadas em cachinhos, entre a quentura da experiência e o frescor da novidade. Entre a boca sedenta de um homem de botas e os olhos desesperados de uma menina de luta.

Só quero agradecer. Aos Deuses, ao Universo, ao Tempo e a cada um. Quero agradecer por ser hoje, por estar aqui, depois de tanta corrida rumo ao nada.
Quando eu olho em volta, vejo tanto, vejo muito. E ver, sem olhos embotados de lágrimas amargas, e com olhos embotados de vida doce, é o que de mais delicioso há. Ver, acima de tudo, e saber que posso estender os dedos e tocar, e que qualquer sentido segue o olho e o toque, porque o que há para mim e em mim é real. Cada encontro é real. Mesmo que eu me rasgue toda pra prosseguir, o que vale é o agora extraordinário que acalenta essa minha inescrutável natureza desmedida. Eu quero todos, com toda a sacralidade desse verbo. Eu quero.

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Doce de Abóbora

Descasque a abóbora, corte em pedaços menores; coloque em uma panela, junte o açúcar, na base de metade de açúcar pelo tanto de abóbora; coloque no fogo, não precisa colocar água; deixe a abóbora soltar água, vá mexendo para não grudar os pedaços no fundo da panela; deixe cozinhando até virar uma massa, ela começará a soltar do fundo da panela, deixe mais um pouco até parecer que está começando a fritar, este será o ponto; após retire do fogo e vá tirando colheradas e colocando em um tabuleiro com espaços entre uma e outra ou em forminhas de coração, não retire a colher muito cheia para colocar no tabuleiro, pois você terá de deixar esfriar e depois deixe secar por uns dois dias.

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Rezinha pra qualquer Jeremias que vai nascer

Sexta-feira, Junho 05, 2009

Jeremias, profeta da chuva

Que o Deus que é menino e menina, equilibre nossa pequena grande senda.

Que a Deusa trovão e flor, traga frio e fogo pra lembrar que o um é melhor quando chega a dois.

Louvo o passado e saúdo o futuro.

Ave Tempo, rei da vida.

Que assim seja, e que assim prossiga.

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Agora pra esse Jeremias, profeta da chuva, que nasce dia 6 de Junho, na Sala do Coro do TCA, às 20:00h, e que renascerá por muitos outros dias, às sextas, sábados, e domingos, sempre na mesma hora:

Que o pai e a mãe de Adelice te acolham e te amem.

E que nasça um pezinho de qualquer planta verde no coração de quem te veja.

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Talvez um dia eu descubra que o melhor que Jeremias me ensinou é fazer rezinhas. E nesse dia eu vou ficar muito mais feliz e vou rezar pra aprender a fazer croché.

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Cantiga de ninar de Morgana para Arturo

Segunda-feira, Junho 01, 2009

mais um coração roubado

Dorme, menino-sol

Menino vestido de luz

Menino do sorriso torto

E do olhar que clareia o mundo.

Você procura o sol lá fora

Mas quando toco em você

Meu coração  se torna brasa

E meus olhos são só alegria

Sinto a vida amanhecer.

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O coração de Adelice

Quinta-feira, Maio 28, 2009

coração de maria

E o único pedido que ela fez, é o que mais difícil poderia ser. Pediu que a palavra fosse a verdade. Doeu tanto em mim, que tive que olhar pro céu pra segurar a chuva que brotava de meus olhos. Mas doeu também por eu ter que segurar. Ali eu tenho que. Assistir. E fico feliz com a materialização daquele mundo, e triste por tanta coisa se esfarelar antes de estar no ponto de comer. Como é bom estar ali e ver generosidade e mesquinhez andando juntinhas, irmanadas. Como é bom ver gente que é gente e nem percebe que é. Como é bom ver o velho e o novo com o mesmo cheiro de bolor. Como é bom ver que é verdade, se um filho de deuses pousasse nessas paragens, não seria sequer visto. Ah, o tamanho dos umbigos… Estão diante de deuses, até de uma menina-deusa, e nem sequer agradecem. Nem sequer deixam a felicidade entrar. Confundem amor com sorriso e traduzem bem o que é árido. Chove areia ali e nada é por acaso. Mas me lembro que escutei, aliás, assisti, lá quando ainda era verão, o projeto dizer que contaria sobre. Mais verdadeiro não poderia ser.

E o coração dela tem uma luz que não precisa de acendedores. Emana. Ela emana humanidade. E eu queria era derramar essa chuva junto, clarificar o quanto não me importa se seria como eu faria ou não, porque estou ali por ela, e para ela, e que se danem todos os cânones de sacralização do universo. Estou ali pelo encontro, e por descobrir maluquices. Tem um mesmo, uma criatura linda, com quem convivi por 4 anos na Casa que era rosa e agora é branca, e nunca percebi sua divindade. Mas ele foi o único que olhou nos meus olhos naquele dia em que ela pediu pela verdade e me abraçou com sua risada trovejante pra minha embotada expressão e disse “bobinha, eu vi você chorando”. O abraço dele tem o mesmo calor e conforto do coração dela, tenho certeza.

A solidão de materializar sonhos é grande como o sertão, mas não é seca. Quero ter um regador pra molhar o coração dela sempre, quero ter essa função.

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E tantos outros desatinos

Sexta-feira, Maio 22, 2009

Salomé entrega os 7 véus

Carta a Oscar Wilde, em resposta à primeira, quando eu não sabia onde me metia ao resolver contar a história do desejo da princesa Salomé. Carta de perplexa constatação na ocasião de nossa apresentação em Lauro de Freitas, chamado pelos artistas locais de Santo Amaro de Ipitanga, na 4a edição do Festival Ipitanga de Teatro, no dia 21 de Maio de 2009. Carta-declaração de amor e agradecimento àqueles que me fazem diariamente ter orgulho de fazer teatro, de ter escolhido esta senda, de ter feito amor com Dionísio.

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Wilde,

Inacreditável é juntar tanta gente pra contar uma história tão trágica e rir tanto. Rir junto, todos os muitos que somos. É assim por lá. Quem quiser saber o que é fé, basta olhar aquela corte, do rei hedonista, da rainha perversa, da princesa apaixonada. Contamos a história do desterro e vivemos um conto de fadas. Pessoas tão diversamente admiráveis, uma outra corte pra mesma história, uma outra história praquela corte. Tenho andado por aí e só posso atestar que o que somos é um fenômeno de bons auspícios dionísiacos, donos do prazer inenarrável de fazer aquele teatro e sentir o cheiro bom de vinho barato que temos juntos.

Fomos pro quinto dos infernos, lugar que chamam de Santo, e chovia com a força de todas as comportas abertas. Quase sem luz pra iluminar nosso banquete, quase sem espaço para acomodar nossos convidados, e enfrentamos. Camarim alagado e estávamos lá, maquiagens a postos, olhares roqueiros transformando-se em seda. Os leoninos do palco e da música revesavam-se em um lugar de flautas e rocamas, sinfonia assustadoramente perfeita. Martelos e tachas em lugares outros, tão pouca roupa, sob as impressões nervosas de quem não vê tanto sexo exalando há tempos, talvez nunca, e nós com toda a coragem do mundo. Aliás, coragem já não é mais a questão, todas as provas de fogo já passaram daqui.

Escolhi fitas violeta pra adornar meu pseudo-figurino, pra ostentar o significado dessa cor, que rege os destinos pelo vermelho que tem e abençoa as confluências com sua metade azul. E quando faltavam 20 minutos pude parar pra tomar ar e ver, de longe, aquela máquina mágica pronta para enbevecer os desavisados. Pude constatar ali o quanto gostamos do que fazemos, não falo do todo (que é óbvio), mas do específico de emprestar corpos e almas para arrebatar quem olha para o que oferecemos em nossas bandejas.

Naquele momento, e nos 50 minutos de loucura subsequentes, pude traduzir toda a minha concepção em um ato que se mostrou o certo em qualquer lugarejo onde baixemos os nossos véus. Tudo aquilo é uma imensa oração profana, que nada tem de herética. Oramos para que os desejos mundanos façam com que eles se olhem no espelho que carregam atrás das armaduras diárias e encontrem sua humana santidade. Quando a princesa dança e o avatar se contorce, arranca as amarras de quem sempre salivou pelo proibido, mesmo que saibamos que essa invasão possa insidir em negativas e arrepios.

E o que fazemos naquela mesa passa longe da mentira, lá somos nossos duplos como diria um francês louco. Vi essa perigosa teoria aplaudida por nós mesmos, pois somos ali todos essencialmente amigos, e na amizade não há lugar para a profanação da verdade. Passamos tempos sem sentir uns aos outros, mas a amizade é isso, é berrar em um lugar sem acústica sob o campo de força de uma chuva fecunda, sem desistir, sem fraquejar e sem combater nossas tão abundantes idiossincrasias. Amizade é rir junto rumo ao obscuro futuro. Amizade é confiar seu último adorno ao outro. Amizade é dançar espontaneamente a dança dos 7 véus.

Era a minha peça de formatura, era só isso eu pensava. Tornou-se um mantra em horas de caos, horas em que tudo parece errado ou grande demais, onde as pessoas não se olham, não se querem, não se permitem. Era o meu projeto e tornou-se uma ode eterna ao teatro e à amizade. Era meu e tornou-se tão nosso que é difícil imaginar o quanto. Nem somos um grupo, somos um coletivo, nem ganhamos dinheiro, mas naqueles idílicos momentos nossas vozes nos pagam. Somos um coletivo de enamorados. Ali acreditamos no que Salomé diz e só olhamos o amor, sabendo que a morte nunca será, nem de longe, um fim.

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A foto de Luiz Gonçalves, mostra a princesa Salomé, interpretada por Luisa Proserpio, entregando seu último véu ao profeta Jokanaan, interpretado por Will Brandão. A ficha técnica dos meus amores na peça Salomé, de Oscar Wilde pode ser conferida no blog do espetáculo.

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Aquele Corpo de Baile me roubou também

Terça-feira, Maio 12, 2009

quem bebe do meu cálice...

Wilde, eu nunca disse que seria fácil. Exijo, com um sorriso suave e uma voz doce, até a última gota da essência de quem pisa em meus domínios. É assim que exerço meu sacerdócio. Já não finjo mais que a Academia me basta. Conheço o mundo lá fora o suficiente pra não querer só trabalhar aqui dentro. Não. Eu quero mais. Busco os encontros. Busco a verdade. Quero imantar os olhos de cada ser que escolha ver as histórias que conto. E nunca apenas conto, você bem sabe, estivemos juntos. Admito, não estou mais perdida. Não pra você, não para ela. Já sei o quanto ela me tem e o quanto eu tenho dela. Essa princesa com sua santidade demoníaca me devolveu o que eu nem desconfiava esquecido. E ordenou criações, não queria estar só. Então, levei a Lua para lhe fazer companhia. A Lua que olha por mim, através de mim. E então, os bailarinos daquela energia sussurraram que me pertenciam. Meus vestais que nada tinham de virgens. E com eles eu nunca minto pra mim, pra você ou pro mundo. Com eles a plenitude aguda dos sentidos manifestos constrói sensações que só os instintos compreendem. Posso dizer que são meus, e ninguém saberá o que isso significa. E você sabe, Wilde, que eu nunca os entregarei, indefinidamente apaixonada por seus olhos, hálitos, temperaturas. Meus cúmplices no insondável terreno das urgentes vontades. Em seus corpos eles sabem exatamente o que ela – e eu – deseja ao dizer que beijará a boca daquele avatar. Abraçam seu quinhão de silêncio que grita verdades. Acima de tudo – e todos - eles sabem. Como pode ser fácil? Como conduzir o acesso a tão íntimos mistérios sem pagar a balsa dos infernos? Não, não fugirei mais, já não me cabe mais ser assim. A busca será sempre pelo prazer, mas a dor jamais abandonará essas sombras. Porque mesmo ali, no suor misturado, o equilíbrio se faz. Prazer e dor. Sombra e luz. E só caminhando na certeza da ruína minha voz poderá ser ouvida para mitigar o medo. Só então, abraçando a música da transgressão, a canção de ninar virá abrandar os aflitos corações de quem escolheu ser vessel de Dionísio.

Mas a cantiga também não mentirá na minha voz. Eu direi que quando quero bem não tenho escolha. Eu roubo corações.

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Se essa rua
Se essa rua fosse minha
Eu mandava
Eu mandava ladrilhar
Com pedrinhas
Com pedrinhas de brilhante
Só pra ver
Só pra ver meu bem passar
Nessa rua
Nessa rua tem um bosque
Que se chama
Que se chama solidão
Dentro dele
Dentro dele mora um anjo
Que roubou
Que roubou meu coração
Se eu roubei
Se eu roubei teu coração
Tu roubaste
Tu roubaste o meu também
Se eu roubei
Se eu roubei teu coração
Foi porque
Só porque te quero bem

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Presente pra mim

Segunda-feira, Maio 11, 2009

Lakshimi

Adoro ganhar presentes. Adoro ganhar presente do meu filho. Ganhei uma deusa hoje. Sentada em uma flor de lótus, personificação da beleza, da fartura, da generosidade. Invocada para o amor e a riqueza. Segura um cântaro de onde jorram moedas de ouro. Seu nome é Lakshimi e ela é esposa de Vishnu, sustentador do universo. Lakshimi é uma deusa hindu. Fará companhia em meu altar a Ísis, Bastet e Anúbis, deuses egípcios. E ainda a São Jorge e Maria Madalena.

Não sou de escrever os fatos diários da vida em meu blog, mas, por mais que este presente possa parecer só isso, há uma magia intrínseca e inexplicável em receber das mãos de um filho a imagem de uma deusa. É tão imenso esse significado que nem estou tentando entender. Registro, pela imensa felicidade que é ganhar presentes de alguém que pra mim, é o maior presente que receberei nesta vida.

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Eu ouvi o amor cedo

Domingo, Maio 10, 2009

eu já fui a Fada Sininho

Eu devia ter uns 7 anos. Era uma tarde de verão em Realengo, último bairro onde morei na minha infância carioca. Eu estudava de manhã, então tinha as tardes pra explorar o mundo de dentro das grades azuis das janelas da minha casa. Lá estava um LP das centenas que sempre estiveram por lá. Como sempre, eu me encontrava só. Resolvi colocar um sambinha na vitrola, o título da faixa, Samba em prelúdio, me chamou a atenção. Então, o meu coração ouviu.

E ele me tomou, o amor, com o frescor e o medo de quem põe as mãos em um portal para o desconhecido. Durante os quase 4 minutos daquele momento, minha alma encontrou caminhos que a minha mente jamais acompanharia. Nunca me recuperei do amor, pra mim eternamente assim mesmo, um samba em prelúdio. A absurda e absoluta entrega de alguém a outro. O amor são tantos. Mas o meu é sempre assim, desesperado e definitivo, inteiro e extremado. O amor do último segundo.

E tão cedo quanto chegou o amor, chegou o caminho único que me foi destinado, escrito pelas mãos de um Vinícius, provavelmente com tinta de conhaque e incensado com fumaça de cigarro. Ouvindo aquele sambinha triste verti a primeira das lágrimas do mar da minha intensidade. A partir de Vinícius entendi, e entendo, minha natureza de antíteses e paradoxos. E choro mesmo, não economizo a verdade do que cada momento me exige. E quero tanto assim mesmo, e pronto, porque me dou pra lá de por inteiro. Se alguém desconfiar, me olhe nos olhos. E se mesmo assim duvidar, toque esse samba. Porque o amor nunca se escondeu de mim.

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Samba em prelúdio
Vinicius de Moraes / Baden Powell

Eu sem você
Não tenho porquê
Porque sem você
Não sei nem chorar
Sou chama sem luz
Jardim sem luar
Luar sem amor
Amor sem se dar
Eu sem você
Sou só desamor
Um barco sem mar
Um campo sem flor
Tristeza que vai
Tristeza que vem
Sem você, meu amor, eu não sou ninguém
Ah, que saudade
Que vontade de ver renascer nossa vida
Volta, querida
Os meus braços precisam dos teus
Teus abraços precisam dos meus
Estou tão sozinho
Tenho os olhos cansados de olhar para o além
Vem ver a vida
Sem você, meu amor, eu não sou ninguém

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Um outro asfalto selvagem

Quinta-feira, Maio 07, 2009

de qualquer lugar

Ela tentou ignorar. Fez o exercício do momento errado. Mas alguém já disse que o que tem que ser, tem força. E quando fechava os olhos, só via aqueles olhos cor de açaí no sol escaldante de um feriado cívico qualquer. Ela sabia, o destino talhou no asfalto a certeza daquele encontro. E se viu adentrando novamente por aquela porta com o coração por um fio de sair pela boca. Quando o latente encontra o suscetível, ninguém deveria se dar ao trabalho de desviar o caminho. Sentiu a pele arder à lembrança do toque que só conhecia em suas fantasias, a alegria de sorver cheiros encobertos pelo jeans apertado e o ar de menina que desafia. Era só ali que ela queria estar, ouvindo mais uma vez aquela voz que a deixa pronta.

E entendeu finalmente que há limites pra literatura. Que há tantas coisas que as palavras não traduzem. Há a imperiosa fome do olhar, o estridente silêncio da vontade, a impermanente busca pelo lugar do primeiro gosto. O que não quer ser escrito se diz com o instinto que escolhe sempre certo, que antecipa o próximo gemido, que adia o prazer até que a dilacerante matéria que nos faz tão humanos nos exija a pequena morte do gozo.

E na sua alquimia diletante, sob o inelutável signo do desejo, elas acasalaram até o final do dia.

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Achado de hoje (Oscar Wilde):

Sexta-feira, Maio 01, 2009

“Quem é o Filho do Homem? É tão belo como tu, Jokanaan?”

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Meu pedacinho mais precioso

Terça-feira, Abril 28, 2009

bobinho e bobinha

Daquela menina triste que procurava o aconchego da morte, sobraram os olhos como janela e a predileção por violinos.

Saturno completou uma volta completa. O Tempo me deu o inexorável amor de um filho. E agora eu sou a mais boba das bobas. O aniversário é dele, o reizinho com 8 anos agora, mas sempre sou eu a presenteada com aqueles olhos-faróis metade azul, metade verde e a eterna alegria de quem é apaixonado pela vida.

  Tuca (1) Tuca (2) Tuca (3) Tuca (4)

E pra completar, Arthur agora tem um blog. Chama-se Mundo Material. Só o título já dá panos pra manga…

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Porque no início tudo é uma página em branco.

Sexta-feira, Abril 24, 2009

 

Arturo vê Imber pela janela

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Twivialidades

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